Mais uma vez, temos uma novela abordando a homossexualidade, e dessa vez no horário nobre. Se não me engano, a última foi Mulheres Apaixonadas, que trazia um casal de adolescentes lésbicas. Dessa vez, porém, as protagonistas desse drama lés são mulheres maduras e vividas, e aborda-se muito mais amplamente as relações homossexuais. A cena em que a Stela (Paula Burlamaqui) conta para Catarina (Lilia Cabral) que é lésbica, que era casada, tinha um relacionamento estável, ajudou sua companheira a criar o filho (que tem enorme carinho por ela), foi um marco na história da televisão. Nunca se falou tão aberta e claramente sobre a homossexualidade e de maneira tão natural.
Na maioria dos casos, antes, todos sabíamos quem eram os gays e lésbicas nas novelas... Mas eles eram sempre vilões ou tinham papéis muito secundários, sem nenhum destaque. E no fim eles sempre morriam (não é assim nas novelas, os maus morrem no final?) ou ficavam pra titios e titias ou nem se discutia o seu destino.
Também não se falava tão abertamente sobre tipos como Leonardo (Jackson Antunes), o marido da Catarina. Tá pra nascer um cara mais mala do que ele!!!! O sujeito é um grosso, que humilha o tempo todo a esposa e os filhos, fica criando fofocas e intrigas na própria família e na cidade; espiava a Stela pelo telescópio e depois para piorar começou a segui-la e agora a invadir sua casa.
No capítulo de ontem, ele entrou mais uma vez na casa da loira escondido, e mexeu ( como assim, fuçou literalmente, como o porco que é) nas coisas dela, achando as fotos de Stela com a companheira, com o enteado, cartões que ela trocaram. E depois ainda teve coragem de ir encher a paciência da Catarina falando do que tinha feito e do que tinha descoberto, tratando a homossexualidade como doença. Epaaaa, epaaaa, epaaaaaa!!!! Um sujeito alcoólatra (alcolismo é uma doença!!!), perverso (um cara que bate na esposa, chama o próprio filho de esquisito, isso não é doença?), fofoqueiro (tá, isso pode não ser doença, mas é sim um desvio de caráter!), falando que a homossexualidade é doença... Faça-me o favor!!!! Pra piorar, fala que é falta de macho (e macho COMO ele) que causa "essas coisas"... macho que "dá no côro"... é por causa de estúpidos como ele que acham que virilidade e hombridade têm a vêr com desejo sexual que .... bem... voltando à parte das doenças, é triste pensar que ainda existem pessoas como ele que acham esse absurdo.
Como um pastor evangélico que falou no programa da Luciana Gimenez que se fosse "liberar o homossexualismo..." (aí nessa hora a gente manda o sujeito ler um pouco mais, o termo foi trocado por HOMOSSEXUALIDADE porque o sufixo "ismo" designa doença, e a OMS não classifica a orientação sexual e identificação de gênero como doença), "...aí teria que liberar a pedofilia também" . Vejam a falta de informação, o preconceito e a estreiteza de pensamento desse senhor. Ser gay, lésbica, bi, transgênero, é uma orientação sexual. Mas ser pedófilo é uma perversão sexual. São coisas muito diferentes!!!!!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Criminalização da homofobia
Semana passada, assistindo à televisão, percebi que o projeto de lei para a Criminalização da Homofobia estava em pauta na programação de vários programas, de emissoras diferentes. É fundamental que o tema seja trazido à tona e discutido. Preocupou-me foi o fato de que muitas vezes não havia mediadores capazes de conduzir adequadamente a conversa e evitar que opiniões intransigentes e sem fundamento desviassem o assunto para trocas de ofensas entre gays e representantes de instituições religiosas.
De forma geral, as religiões cristãs não são a favor da homossexualidade, mas várias apresentam movimentos de renovação que agregam os gays, e na própria Bíblia tem uma passagem que diz que "onde houver amor, aí está o reino de Deus".
Mas sem levar esse texto para uma discussão religiosa ou ideológica, voltemos ao nosso foco. A lei de criminalização da homofobia se destaca por ser extremamente ampla, não se tratando apenas de uma lei que enfoque o preconceito quanto à orientação sexual e identidade de gênero. De acordo com ela, nenhum cidadão pode ser discriminado por sua cor de pele, classe social, religião, orientação política nem tão pouco orientação sexual ou identidade de gênero. Ou seja, somos todos iguais, perante a lei, não importando se somos brancos, negros ou alaranjados, ricos, pobres, católicos, protestantes, umbandistas, espíritas, islâmicos ou ateus, conservadores, liberais, comunistas ou anarquistas. Todos temos os mesmos direitos e deveres perante a Constituição Federal.
E em se tratando de direitos e deveres, é importante lembrar que devemos fazer sempre a nossa parte e que em muitos casos, um pouco de humildade e tolerância evitaria grandes problemas. Não é mostrando sua vagina que uma lésbica vai provar a um pastor evangélico que é mulher, e muito menos vai fazê-la uma pessoa mais religiosa e espiritualizada ele dizer que ela é uma pecadora ou uma afronta a Deus. Porque com uma atitude agressiva e vulgar como essa, ela só reforçaria preconceitos e não mostraria seu valor como pessoa, nem tão pouco sua feminilidade ( é possível ser mais ousada e consistente com outros argumentos ). Também o pastor não arrebanha ovelhas dizendo a elas que não cabem no seu rebanho.
Enfim, é preciso que cada um faça sua parte na luta por seus direitos, sempre respeitandos seus deveres, exercitando a humildade, a gentileza, a boa educação e a tolerância, porque é respeitando que se é respeitado, é ouvindo que se é ouvido, e é pelo bom exemplo que ensinamos às novas gerações o que é certo e errado, para que não repitam os nossos erros e vivam em uma sociedade com os mesmos podres que a nossa.
De forma geral, as religiões cristãs não são a favor da homossexualidade, mas várias apresentam movimentos de renovação que agregam os gays, e na própria Bíblia tem uma passagem que diz que "onde houver amor, aí está o reino de Deus".
Mas sem levar esse texto para uma discussão religiosa ou ideológica, voltemos ao nosso foco. A lei de criminalização da homofobia se destaca por ser extremamente ampla, não se tratando apenas de uma lei que enfoque o preconceito quanto à orientação sexual e identidade de gênero. De acordo com ela, nenhum cidadão pode ser discriminado por sua cor de pele, classe social, religião, orientação política nem tão pouco orientação sexual ou identidade de gênero. Ou seja, somos todos iguais, perante a lei, não importando se somos brancos, negros ou alaranjados, ricos, pobres, católicos, protestantes, umbandistas, espíritas, islâmicos ou ateus, conservadores, liberais, comunistas ou anarquistas. Todos temos os mesmos direitos e deveres perante a Constituição Federal.
E em se tratando de direitos e deveres, é importante lembrar que devemos fazer sempre a nossa parte e que em muitos casos, um pouco de humildade e tolerância evitaria grandes problemas. Não é mostrando sua vagina que uma lésbica vai provar a um pastor evangélico que é mulher, e muito menos vai fazê-la uma pessoa mais religiosa e espiritualizada ele dizer que ela é uma pecadora ou uma afronta a Deus. Porque com uma atitude agressiva e vulgar como essa, ela só reforçaria preconceitos e não mostraria seu valor como pessoa, nem tão pouco sua feminilidade ( é possível ser mais ousada e consistente com outros argumentos ). Também o pastor não arrebanha ovelhas dizendo a elas que não cabem no seu rebanho.
Enfim, é preciso que cada um faça sua parte na luta por seus direitos, sempre respeitandos seus deveres, exercitando a humildade, a gentileza, a boa educação e a tolerância, porque é respeitando que se é respeitado, é ouvindo que se é ouvido, e é pelo bom exemplo que ensinamos às novas gerações o que é certo e errado, para que não repitam os nossos erros e vivam em uma sociedade com os mesmos podres que a nossa.
Assinar:
Postagens (Atom)
