quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Como diz a Bíblia


             Há algum tempo atrás, recebi por e-mail os links de alguns sites lés em que se pode baixar filmes. Agora, estou "viciada" e até comecei a fazer um arquivo de filmes gls em meu notebook.

Esses sites disponibilizam filmes de vários gêneros: comédia, romance, drama, ação, animes japoneses, etc.

Mas, de todos os filmes a que assisti, o que mais me interessou foi " For the Bible tells me so - Como diz a Bíblia ". Trata-se de um documentário sobre o conflito religião X homossexualidade, do qual participam líderes de diferentes religiões cristãs ( como reverendos luteranos, bispos católicos e até um rabino reformado ), famílias de homossexuais, psicólogos. Um dos pontos mais importantes abordados no documentário é a leitura isolada, seletiva  e literal de trechos da Bíblia, usada para inferiorizar os homossexuais, denegrir sua imagem e  fazerem-nos sentir culpa por sua orientação sexual ( assim como a Bíblia foi usada, historicamente, para inferiorizar os negros e "justificar" a escravidão, e também para subjugar as mulheres). Discute-se, dessa forma, o papel da religião na criação e propagação do preconceito sexual e as graves conseqüências da homofobia: de acordo com dados estatísticos, jovens homossexuais são de 3 a 7 vezes mais propensos a cometerem suicídio do que jovens heterossexuais e de cada 5 jovens que procuram ajuda de grupos de apoio nos EUA, 1 ou 2 se queixam da discriminação religiosa.

Porém,não vou ficar aqui contando o documentário: meu interesse com esse post é justamente o de divulgá-lo. Mais do que um filme sobre a homossexualidade ou sobre as religiões, " For the Bible tells me so " é um filme sobre amor e respeito ao próximo, princípios fundamentais da verdadeira espiritualidade.

Segue o link:

http://universodafenix.blogspot.com/2009/09/for-bible-tells-me-so-como-diz-biblia.html

OBS: recomendado para qualquer pessoa, independentemente de sua cor, gênero, religião, orientação sexual, time de futebol, partido político, condição social, roupas, estilo ou cabelo -afinal, tudo isso não nos torna diferentes uns dos outros? 



domingo, 28 de junho de 2009

Diga não ao preconceito, respeite a diversidade!

Essa semana, todos fomos surpreendidos pela morte repentina do ídolo pop Michael Jackson. Em todo o mundo, grande comoção, fãs chorando, outros cantando suas músicas. Pouco se falou da sua face polêmica, exceto por alguns jornalistas, q a meu ver pegaram até pesado demais ao perguntar por exemplo " Por qual Michael Jackson você chora?", colocando lado a lado fotos do cantor desde criança até as últimas aparições, cada uma mostrando um Michael mais branco e deformado .
Na África do Sul, país onde a intolerância racial chegou ao extremo atrvés da política segregacionista do apartheid, o Brasil conquistou o tricampeonato da Copa das Confederações. Essa copa ficou marcada pela alegria do povo africano com suas buzinas, e no jogo entre nossa seleção e a do país-sede, pelo discurso contra o racismo.
Infelizmente, quase simultaneamente a isso, nós mineiros nos entristecemos com a notícia de que um argentino, atacante do Grêmio, ofendeu o jogador Elicarlos, do Cruzeiro, chamando-o de macaco. E depois ainda teve a cara-de-pau de dizer que foi uma " discussão normal de jogo ".
Enfim, tanto se fala contra o racismo, e muito ainda se tem que falar, para espantar esse fantasma e dos outros preconceitos.

Segue então o post de hoje, um texto que fiz a respeito da diversidade, e em respeito a ela.

Segundo a Unesco, a diversidade cultural é tão necessária para o homem quanto a diversidade biológica para a natureza e, por isso, deve ser respeitada e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras. Mas, a “vida real” não é tão bonita quanto no papel.
Conviver com a diferença é um exercício de tolerância. Porém, ao longo dos séculos, a história da humanidade tem sido marcada por desrespeito à diversidade e intolerância. Antes mesmo da Era Cristã, já havia escravos. A colonização européia na América foi truculenta, assim como foram a Santa Inquisição, os campos de concentração e os porões das ditaduras.
Os exemplos acima, contudo, mostram casos em que a intolerância chegou ao extremo. O que alguns ignoram é que esta é como uma árvore, que eles regam quando discriminam qualquer outra pessoa, seja por que motivo for, porque somos muitos: brancos, índios, negros, pardos, magros, baixos, gordos, altos, cafuzos, confusos. Somos gays, judeus, muçulmanos, punks, reacionários, anarquistas, cristãos, ateus, caolhos, um pouco coxos e muitas coisas mais. Somos todos diferentes, e precisamos exercitar diariamente a tolerância para com os “defeitos” dos outros, para que o clichê saia do papel e sejamos, de fato, todos iguais.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Intolerância

Olá meninas, estou de volta!

Hoje, para falar da intolerância. Ela tem várias formas e se manifesta para todos nós ( ou seria melhor contra todos nós? ).
Vejam o que aconteceu comigo. Ia eu ao banco, nessa última quarta-feira de cinzas, para depositar o meu ( suado! ) dinheirinho que havia economizado por não viajar no carnaval. Estava tranquila, era ainda de manhã e fato é que talvez mais do que tranquila, eu estivesse mesmo distraída, pois estava descendo por um lado da rua em que é impossível atravessar. Nisso, estava vindo um moço do outro lado. E eu nem olho pra homem, nem liguei pra ele. =)
Só que aí me deu um pico de consciência e eu me lembrei que tinha que mudar de lado da rua, e o fiz. Para minha surpresa total, o moço cismou que eu estava atravessando por causa dele e começou a me xingar:
- Sua branquela filha d´uma p%*#, vai tomar no seu c@#$, mudando de lado da rua...
E eu ainda sem olhar para ele direito...
- É você mesma, sua paty desgr%&*, vou te encher de porrada!

Bom, eu fui discriminada por um negro, por eu ser branca. Por um pobre, por eu não ser pobre ( meu Deus, mas também ainda não ganhei na Mega Sena acumulada ) .

Eu acho que o problema está nele, não em mim.

"Pô, moço, isso é geneticamente determinado e eu não escolhi nascer com essa cor boba não, pensei! Ainda ajuda que não temos mar...."

Freud explica. Talvez ele mesmo tenha preconceito contra ele por ser negro. Assim como alguns pseudo-heteros que enchem o nosso saco porque não conseguem sair do armário!!!!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Desabafo

Hoje escrevo ligeiramente "passada". Fui assaltada há umas 14 horas atrás, e ainda que eu pareça estar forte e resolvendo bem as coisas ( ligar pra operadora, bloquear o celular, o cartão de crédito, fazer boletim de ocorrência na Polícia), verdade é que agora que eu acabei a parte burocrática e me sentei e a ficha caiu vejo como estou cansada. Exausta. Como eu dormi mal!
Ontem, dia em que estava correndo tudo bem... Eu estava tranquila e feliz, tinha saído com uma amiga para tomar um sorvete... Tomamos também uma cervejinha, e voltávamos a pé pra minha casa ( estava a 2 quarteirões de casa, tão zen e bem acompanhada que nem pensei em pegar um táxi) quando fomos abordados por um sujeito gritando, dedo em riste embaixo da camiseta, fingindo estar armado. Arrancou minha bolsa com um puxão que me levou junto e saiu correndo, de certo pra comprar crack. Ele tinha cara de noiado.
Consigo lembrar do olhar dele de desespero, e fome de mais que comida e dinheiro. Ele também se lembrará do medo com que eu o olhei, quando enfim entendi o que estava acontecendo. E provavelmente terá raiva por não ter conseguido roubar mais que uma carteira que não estava muito cheia, um aparelho de celular fora de linha (eu tenho uma relação quase que afetiva com minhas coisas, não consigo me desfazer delas a não ser por um bom motivo) e um conjunto de maquiagem . Ou não.
Pra terminar a noite, São Pedro mandou uma chuva na Savassi, e eu terminei de chegar em casa a pé mesmo ( já não tinha o que roubar, nem celular pra pedir um taxi, e não faltava mais de um quarteirão pra estar a salvo ).
Minha amiga perguntou:
- Sol, como você está se sentindo?
Eu só consegui responder: " roubada, molhada e descalça" ( porque minha rasteirinha voou longe ).

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Esse post foi mais um desabafo de quem foi assaltada pela primeira ( e, se Deus quiser, última) vez.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Homofobia em casa

Homofobia em casa. Existe. Muito. Em todo lugar. E a gente lutando por respeito, igualdade, cidadania, carregando bandeira em parada. E quantas "paradas duras" não enfrentamos todos os dias em casa, com nossos pais, no ambiente de trabalho, no trânsito. Mas a discriminação em casa é pior. Ser ofendido e agredido no local onde você deveria se sentir seguro e protegido.
As vezes a pressão é tanta que a própria pessoa sente homofobia por ela, é o cúmulo da culpa e da neurose. De tão fechado o cerco homofóbico ao seu redor, a pessoa sofre e se mata como o escorpião cercado pelo fogo que se envenena com seu ferrão.

E você aí, o que você faz contra a homofobia na sua casa?

sábado, 10 de janeiro de 2009

O Ordinário

Há dois ou três dias atrás, eu ouvi uma palestra muito interessante sobre a beleza do Ordinário. Deixe-me explicar.
O orador em questão era um religioso ( quem quiser procurar essa palestra, é do Pe. Fábio de Melo) e ele falava de como as coisas simples são importantes e dão sentido à nossa vida. Sim, as pequenas coisas que a gente faz todo dia, às vezes tão repetitivamente que nem presta atenção.
Ordinário, etimologicamente, seguinifica "aquilo que está na ordem do dia", ou seja, aquilo que faz parte do cotidiano, do que deve ser feito hoje. O extraordinário, por sua vez, é aquilo que está além da rotina.
As pessoas, em sua maioria, buscam o extraordinário a todo momento, não conseguem reconhecer o valordas coisas ordinárias. Mudam de companheiro(a), de emprego, de cidade, de religião.
Mas é nas coisas ordinárias que a gente medita sobre a vida e sobre como podemos mudar o mundo: a partir de nós mesmos. Arrumando a nossa casa, ariando as panelas, limpando-se por dentro também.
A luta contra a homofobia deve ser algo ordinário. As "Paradas do Orgulho Gay" (não estou discutindo a importância delas) que acontecem em todo país, e no mundo, são coisas extraordinárias: eventos de grande porte, com dia e hora marcada para começar e acabar; fecha-se a Av. Paulista, em Sampa, a Av. Afonso Pena em BH. Mas passada a hora estipulada, tudo volta ao normal.
Lutar contra a homofobia, e qualquer forma de preconceito, deve ser cotidiano.Lutar pela cidadania deve ser cotidiano. E não precisa ser necessariamente carregando bandeiras por aí, gritando ou pintando a cara, não deve ser somente barulho.
Nós mudamos o mundo construindo rampas para cadeirantes, cedendo lugar no ônibus para idosos, deficientes físicos e gestantes, jogando lixo no lugar certo, respeitando as pessoas, devolvendo o troco errado que recebemos na padaria, e mesmo que tudo isso pareça clichê e ordinário, é assim que deve ser.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O Segredo de Broke Back Mountain na Globo

Eu sempre procuro pesquisar, nos diversos meios de comunicação, os fatos mais recentes e importantes relacionados à homossexualidade e cidadania para manter o blog sempre atualizado e munido de diferentes fontes de informação.
Mas hoje novamente recorrerei à televisão, dado seu alcance. Juntamente com o Rádio, é o meio de comunicação mais difundido no Brasil.
Por isso fiquei tão feliz ontem ao ver que "O Segredo de Broke Back Moutain" foi exibido na Tv Globo, a maior emissora de tv aberta do país, o que sinaliza 2 coisas importantes: a) liberdade de imprensa, e b) reconhecimento de que há público para programação GLBT no país ( porque a emissora não faz isso só para ser politicamente correta, antes de tudo ela busca audiência).
O que isso quer dizer? Não só somos reconhecidos como um grupo, mas também cresce a oferta de serviços e programas destinados ao público gay.
Não, isso não resolve nossos problemas. Mas é mais um passo na direção da liberdade!