Hoje escrevo ligeiramente "passada". Fui assaltada há umas 14 horas atrás, e ainda que eu pareça estar forte e resolvendo bem as coisas ( ligar pra operadora, bloquear o celular, o cartão de crédito, fazer boletim de ocorrência na Polícia), verdade é que agora que eu acabei a parte burocrática e me sentei e a ficha caiu vejo como estou cansada. Exausta. Como eu dormi mal!
Ontem, dia em que estava correndo tudo bem... Eu estava tranquila e feliz, tinha saído com uma amiga para tomar um sorvete... Tomamos também uma cervejinha, e voltávamos a pé pra minha casa ( estava a 2 quarteirões de casa, tão zen e bem acompanhada que nem pensei em pegar um táxi) quando fomos abordados por um sujeito gritando, dedo em riste embaixo da camiseta, fingindo estar armado. Arrancou minha bolsa com um puxão que me levou junto e saiu correndo, de certo pra comprar crack. Ele tinha cara de noiado.
Consigo lembrar do olhar dele de desespero, e fome de mais que comida e dinheiro. Ele também se lembrará do medo com que eu o olhei, quando enfim entendi o que estava acontecendo. E provavelmente terá raiva por não ter conseguido roubar mais que uma carteira que não estava muito cheia, um aparelho de celular fora de linha (eu tenho uma relação quase que afetiva com minhas coisas, não consigo me desfazer delas a não ser por um bom motivo) e um conjunto de maquiagem . Ou não.
Pra terminar a noite, São Pedro mandou uma chuva na Savassi, e eu terminei de chegar em casa a pé mesmo ( já não tinha o que roubar, nem celular pra pedir um taxi, e não faltava mais de um quarteirão pra estar a salvo ).
Minha amiga perguntou:
- Sol, como você está se sentindo?
Eu só consegui responder: " roubada, molhada e descalça" ( porque minha rasteirinha voou longe ).
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Esse post foi mais um desabafo de quem foi assaltada pela primeira ( e, se Deus quiser, última) vez.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Homofobia em casa
Homofobia em casa. Existe. Muito. Em todo lugar. E a gente lutando por respeito, igualdade, cidadania, carregando bandeira em parada. E quantas "paradas duras" não enfrentamos todos os dias em casa, com nossos pais, no ambiente de trabalho, no trânsito. Mas a discriminação em casa é pior. Ser ofendido e agredido no local onde você deveria se sentir seguro e protegido.
As vezes a pressão é tanta que a própria pessoa sente homofobia por ela, é o cúmulo da culpa e da neurose. De tão fechado o cerco homofóbico ao seu redor, a pessoa sofre e se mata como o escorpião cercado pelo fogo que se envenena com seu ferrão.
E você aí, o que você faz contra a homofobia na sua casa?
As vezes a pressão é tanta que a própria pessoa sente homofobia por ela, é o cúmulo da culpa e da neurose. De tão fechado o cerco homofóbico ao seu redor, a pessoa sofre e se mata como o escorpião cercado pelo fogo que se envenena com seu ferrão.
E você aí, o que você faz contra a homofobia na sua casa?
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sábado, 10 de janeiro de 2009
O Ordinário
Há dois ou três dias atrás, eu ouvi uma palestra muito interessante sobre a beleza do Ordinário. Deixe-me explicar.
O orador em questão era um religioso ( quem quiser procurar essa palestra, é do Pe. Fábio de Melo) e ele falava de como as coisas simples são importantes e dão sentido à nossa vida. Sim, as pequenas coisas que a gente faz todo dia, às vezes tão repetitivamente que nem presta atenção.
Ordinário, etimologicamente, seguinifica "aquilo que está na ordem do dia", ou seja, aquilo que faz parte do cotidiano, do que deve ser feito hoje. O extraordinário, por sua vez, é aquilo que está além da rotina.
As pessoas, em sua maioria, buscam o extraordinário a todo momento, não conseguem reconhecer o valordas coisas ordinárias. Mudam de companheiro(a), de emprego, de cidade, de religião.
Mas é nas coisas ordinárias que a gente medita sobre a vida e sobre como podemos mudar o mundo: a partir de nós mesmos. Arrumando a nossa casa, ariando as panelas, limpando-se por dentro também.
A luta contra a homofobia deve ser algo ordinário. As "Paradas do Orgulho Gay" (não estou discutindo a importância delas) que acontecem em todo país, e no mundo, são coisas extraordinárias: eventos de grande porte, com dia e hora marcada para começar e acabar; fecha-se a Av. Paulista, em Sampa, a Av. Afonso Pena em BH. Mas passada a hora estipulada, tudo volta ao normal.
Lutar contra a homofobia, e qualquer forma de preconceito, deve ser cotidiano.Lutar pela cidadania deve ser cotidiano. E não precisa ser necessariamente carregando bandeiras por aí, gritando ou pintando a cara, não deve ser somente barulho.
Nós mudamos o mundo construindo rampas para cadeirantes, cedendo lugar no ônibus para idosos, deficientes físicos e gestantes, jogando lixo no lugar certo, respeitando as pessoas, devolvendo o troco errado que recebemos na padaria, e mesmo que tudo isso pareça clichê e ordinário, é assim que deve ser.
O orador em questão era um religioso ( quem quiser procurar essa palestra, é do Pe. Fábio de Melo) e ele falava de como as coisas simples são importantes e dão sentido à nossa vida. Sim, as pequenas coisas que a gente faz todo dia, às vezes tão repetitivamente que nem presta atenção.
Ordinário, etimologicamente, seguinifica "aquilo que está na ordem do dia", ou seja, aquilo que faz parte do cotidiano, do que deve ser feito hoje. O extraordinário, por sua vez, é aquilo que está além da rotina.
As pessoas, em sua maioria, buscam o extraordinário a todo momento, não conseguem reconhecer o valordas coisas ordinárias. Mudam de companheiro(a), de emprego, de cidade, de religião.
Mas é nas coisas ordinárias que a gente medita sobre a vida e sobre como podemos mudar o mundo: a partir de nós mesmos. Arrumando a nossa casa, ariando as panelas, limpando-se por dentro também.
A luta contra a homofobia deve ser algo ordinário. As "Paradas do Orgulho Gay" (não estou discutindo a importância delas) que acontecem em todo país, e no mundo, são coisas extraordinárias: eventos de grande porte, com dia e hora marcada para começar e acabar; fecha-se a Av. Paulista, em Sampa, a Av. Afonso Pena em BH. Mas passada a hora estipulada, tudo volta ao normal.
Lutar contra a homofobia, e qualquer forma de preconceito, deve ser cotidiano.Lutar pela cidadania deve ser cotidiano. E não precisa ser necessariamente carregando bandeiras por aí, gritando ou pintando a cara, não deve ser somente barulho.
Nós mudamos o mundo construindo rampas para cadeirantes, cedendo lugar no ônibus para idosos, deficientes físicos e gestantes, jogando lixo no lugar certo, respeitando as pessoas, devolvendo o troco errado que recebemos na padaria, e mesmo que tudo isso pareça clichê e ordinário, é assim que deve ser.
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Parada Gay; Homofobia; Pe. Fábio de Melo
domingo, 4 de janeiro de 2009
O Segredo de Broke Back Mountain na Globo
Eu sempre procuro pesquisar, nos diversos meios de comunicação, os fatos mais recentes e importantes relacionados à homossexualidade e cidadania para manter o blog sempre atualizado e munido de diferentes fontes de informação.
Mas hoje novamente recorrerei à televisão, dado seu alcance. Juntamente com o Rádio, é o meio de comunicação mais difundido no Brasil.
Por isso fiquei tão feliz ontem ao ver que "O Segredo de Broke Back Moutain" foi exibido na Tv Globo, a maior emissora de tv aberta do país, o que sinaliza 2 coisas importantes: a) liberdade de imprensa, e b) reconhecimento de que há público para programação GLBT no país ( porque a emissora não faz isso só para ser politicamente correta, antes de tudo ela busca audiência).
O que isso quer dizer? Não só somos reconhecidos como um grupo, mas também cresce a oferta de serviços e programas destinados ao público gay.
Não, isso não resolve nossos problemas. Mas é mais um passo na direção da liberdade!
Mas hoje novamente recorrerei à televisão, dado seu alcance. Juntamente com o Rádio, é o meio de comunicação mais difundido no Brasil.
Por isso fiquei tão feliz ontem ao ver que "O Segredo de Broke Back Moutain" foi exibido na Tv Globo, a maior emissora de tv aberta do país, o que sinaliza 2 coisas importantes: a) liberdade de imprensa, e b) reconhecimento de que há público para programação GLBT no país ( porque a emissora não faz isso só para ser politicamente correta, antes de tudo ela busca audiência).
O que isso quer dizer? Não só somos reconhecidos como um grupo, mas também cresce a oferta de serviços e programas destinados ao público gay.
Não, isso não resolve nossos problemas. Mas é mais um passo na direção da liberdade!
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