terça-feira, 18 de novembro de 2008

Criminalização da homofobia

Semana passada, assistindo à televisão, percebi que o projeto de lei para a Criminalização da Homofobia estava em pauta na programação de vários programas, de emissoras diferentes. É fundamental que o tema seja trazido à tona e discutido. Preocupou-me foi o fato de que muitas vezes não havia mediadores capazes de conduzir adequadamente a conversa e evitar que opiniões intransigentes e sem fundamento desviassem o assunto para trocas de ofensas entre gays e representantes de instituições religiosas.
De forma geral, as religiões cristãs não são a favor da homossexualidade, mas várias apresentam movimentos de renovação que agregam os gays, e na própria Bíblia tem uma passagem que diz que "onde houver amor, aí está o reino de Deus".
Mas sem levar esse texto para uma discussão religiosa ou ideológica, voltemos ao nosso foco. A lei de criminalização da homofobia se destaca por ser extremamente ampla, não se tratando apenas de uma lei que enfoque o preconceito quanto à orientação sexual e identidade de gênero. De acordo com ela, nenhum cidadão pode ser discriminado por sua cor de pele, classe social, religião, orientação política nem tão pouco orientação sexual ou identidade de gênero. Ou seja, somos todos iguais, perante a lei, não importando se somos brancos, negros ou alaranjados, ricos, pobres, católicos, protestantes, umbandistas, espíritas, islâmicos ou ateus, conservadores, liberais, comunistas ou anarquistas. Todos temos os mesmos direitos e deveres perante a Constituição Federal.
E em se tratando de direitos e deveres, é importante lembrar que devemos fazer sempre a nossa parte e que em muitos casos, um pouco de humildade e tolerância evitaria grandes problemas. Não é mostrando sua vagina que uma lésbica vai provar a um pastor evangélico que é mulher, e muito menos vai fazê-la uma pessoa mais religiosa e espiritualizada ele dizer que ela é uma pecadora ou uma afronta a Deus. Porque com uma atitude agressiva e vulgar como essa, ela só reforçaria preconceitos e não mostraria seu valor como pessoa, nem tão pouco sua feminilidade ( é possível ser mais ousada e consistente com outros argumentos ). Também o pastor não arrebanha ovelhas dizendo a elas que não cabem no seu rebanho.
Enfim, é preciso que cada um faça sua parte na luta por seus direitos, sempre respeitandos seus deveres, exercitando a humildade, a gentileza, a boa educação e a tolerância, porque é respeitando que se é respeitado, é ouvindo que se é ouvido, e é pelo bom exemplo que ensinamos às novas gerações o que é certo e errado, para que não repitam os nossos erros e vivam em uma sociedade com os mesmos podres que a nossa.

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