Há dois ou três dias atrás, eu ouvi uma palestra muito interessante sobre a beleza do Ordinário. Deixe-me explicar.
O orador em questão era um religioso ( quem quiser procurar essa palestra, é do Pe. Fábio de Melo) e ele falava de como as coisas simples são importantes e dão sentido à nossa vida. Sim, as pequenas coisas que a gente faz todo dia, às vezes tão repetitivamente que nem presta atenção.
Ordinário, etimologicamente, seguinifica "aquilo que está na ordem do dia", ou seja, aquilo que faz parte do cotidiano, do que deve ser feito hoje. O extraordinário, por sua vez, é aquilo que está além da rotina.
As pessoas, em sua maioria, buscam o extraordinário a todo momento, não conseguem reconhecer o valordas coisas ordinárias. Mudam de companheiro(a), de emprego, de cidade, de religião.
Mas é nas coisas ordinárias que a gente medita sobre a vida e sobre como podemos mudar o mundo: a partir de nós mesmos. Arrumando a nossa casa, ariando as panelas, limpando-se por dentro também.
A luta contra a homofobia deve ser algo ordinário. As "Paradas do Orgulho Gay" (não estou discutindo a importância delas) que acontecem em todo país, e no mundo, são coisas extraordinárias: eventos de grande porte, com dia e hora marcada para começar e acabar; fecha-se a Av. Paulista, em Sampa, a Av. Afonso Pena em BH. Mas passada a hora estipulada, tudo volta ao normal.
Lutar contra a homofobia, e qualquer forma de preconceito, deve ser cotidiano.Lutar pela cidadania deve ser cotidiano. E não precisa ser necessariamente carregando bandeiras por aí, gritando ou pintando a cara, não deve ser somente barulho.
Nós mudamos o mundo construindo rampas para cadeirantes, cedendo lugar no ônibus para idosos, deficientes físicos e gestantes, jogando lixo no lugar certo, respeitando as pessoas, devolvendo o troco errado que recebemos na padaria, e mesmo que tudo isso pareça clichê e ordinário, é assim que deve ser.
sábado, 10 de janeiro de 2009
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